Esta é uma norma muito interessante. Ela traz em um único documento as especificações que a peça deve atender e ao mesmo tempo os métodos de ensaio. É bem prática.

É preciso chamar a atenção para um detalhe importante. Muitas fabricantes reclamam que os critérios da norma são muito exigentes e que não é qualquer equipamento que consegue produzir peças dentro do padrão, sendo as hidráulicas automáticas as máquinas ideais.

Essa exigência tem uma razão.

Estas peças vão compor o revestimento do pavimento, que neste caso, por ser articulado, é considerado flexível. Ele vai atuar combinadamente com as demais camadas do pavimento.

O “paver” deve suportar não somente o trânsito de pedestres, no caso das calçadas, mas também o trânsito de veículos (leves ou pesados) quando aplicados em estacionamentos, portos, pátios logísticos ou vias públicas. Sem contar as áreas de armazenagem.

O revestimento de um pavimento é o responsável pelo tráfego seguro e confortável e também deve ser capaz de absorver as cargas e transmiti-las para as demais camadas do pavimento.

A ABNT NBR 9781 é bem cuidadosa nas suas especificações.

Ela apresenta no item “requisitos específicos” não somente uma classificação quanto ao formato (TIPO I, II, III e IV), mas dá detalhes quanto à geometria da peça (dimensões, tolerâncias, espaçadores, chanfro, arestas e ângulo de inclinação).

No final do artigo vou colocar exemplos de peças dos quatro tipos descritos na norma.

A geometria da peça é muito relevante. Se a peça não possuir o formato e dimensões corretas ela não vai se encaixar adequadamente e dificultar o “intertravamento” do pavimento.

O pavimento tem que resistir não somente às cargas verticais que vem dos veículos mas igualmente ao “giro” provocado pelos pneus quando estes vão fazer curvas. Os locais de estocagem são mais sensíveis a este problema por causa das empilhadeiras, pois elas giram sobre o próprio eixo.

As características físicas e mecânicas (resistência, absorção e abrasão) são tratadas em itens separados. A única característica que tem a sua avaliação facultativa é a abrasão. As demais são obrigatórias.

As dimensões nominais das peças também são especificadas:

  • Comprimento: 250 mm (máximo)
  • Largura: 97mm (mínimo)
  • Espessura: 60 mm (mínimo)

A tolerância dimensional é de + 3 mm para as três dimensões.

A resistência à compressão das peças é especificada em função do tipo de solicitação (ligada ao local de aplicação). Veja a tabela 1:

Tabela 1 – Resistência característica à compressão

Solicitação

Resistência característica à compressão (Fpk) aos 28 dias de idade – MPa

Tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais

> 35

Tráfego de veículos especiais e solicitações capazes de produzir efeitos de abrasão acentuados

> 50

A resistência característica á compressão (Fpk) é uma medida estatística, mas não se preocupe. A norma também ensina como calcular.

A resistência à abrasão também está especificada, embora seja facultativa. Mas lembre-se: seu cliente pode exigir a comprovação disso e seria muito bom você estar preparado, (tabela 2)

Tabela 2 – Critérios para resistência à abrasão

Solicitação

Cavidade máxima (mm)

Tráfego de pedestres, veículos leves e veículos comerciais

> 23

Tráfego de veículos especiais e solicitações capazes de produzir efeitos de abrasão acentuados

> 20

A norma impõe critérios para a análise visual da peça de concreto. A peça tem que apresentar aspecto homogêneo, arestas regulares e ângulos retos.

Não deve possuir nenhum dos defeitos a seguir:

  • Rebarbas;
  • Delaminação;
  • Descamação;
  • Outros defeitos.

A norma dá uma orientação muito importante, que pode eliminar muita dor de cabeça: se a peça for colorida a cor tem que ser combinada com o cliente. Minha dica: mostre algumas peças para o cliente, dentre as cores que você fabrica e peça a aprovação dele.

Outro item muito importante estabelecido na norma é o critério para aceitação e rejeição do lote de peças.

Se a quantidade de defeitos superar 5% do lote, este pode ser rejeitado. Contudo, a norma prevê que as peças defeituosas podem ser substituídas, a critério do comprador.

Como eu disse, esta norma traz todas as indicações para a realização dos testes de verificação das peças. Os métodos estão todos descritos nos ANEXOS que vão de “A” até ”C”.

O Anexo “D” traz os formatos dos tipos de peças descritos na norma. Vamos a eles:

Peças tipo I

Fonte: ABNT

Peças de concreto com formato próximo ao retangular, com relação comprimento/largura igual a dois, que se arranjam entre si nos quatro lados e podem ser assentadas em fileiras ou em espinha de peixe.

Peças tipo II

Fonte: ABNT

Peças de concreto com formato único, diferente do retangular e que só podem ser assentadas em fileiras.

Peças tipo III

Fonte: ABNT

Peças de concreto com formatos geométricos característicos, como trapézios, hexágonos, triedros etc., com peso superior a 4 kg.

Peça tipo IV

Fonte: ABNT

Conjunto de peças de concreto de diferentes tamanhos, ou uma única peça com juntas falsas, que podem ser utilizadas com um ou mais padrões de assentamento.

Creio que estas são as principais informações que estão disponíveis na NBR 9781 mas, esta não é a única norma que os fabricantes de peças para pisos precisam conhecer.

No próximo artigo vamos conhecer a NBR 16416. Até lá.

 


Esse artigo é uma contribuição do Professor  Julio C. Filla para o blog da WM Máquinas. Instagram: @julio_filla | Linkedin | Whatsapp: (43) 99966-1966